28 septembre 2009

por António Barreto

josesocraresvencedorele

*'Sócrates, o ditador'

Único senhor a bordo tem um mestre e uma inspiração.

Com Guterres,

o primeiro-ministro aprendeu a ambição pessoal,

mas, contra ele, percebeu

que a indecisão pode ser fatal,

ao ponto de, com zelo, se exceder.

Prefere decidir mal, mas rapidamente,

do que adiar para estudar.

Em Cavaco, colheu o desdém pelo seu partido.

Com os dois e com a sua própria intuição autoritária,

compreendeu que se pode governar sem políticos.

Onde estão os políticos socialistas ?

Aqueles que conhecemos,

cujas ideias pesaram alguma coisa

e que são

responsáveis pelo seu passado?

Uns saneados, outros afastados.

Uns reformaram-se da política,

outros foram encostados.

Uns foram promovidos ao céu,

outros mudaram de profissão.

Uns foram viajar,

outros ganhar dinheiro.

Uns desapareceram sem deixar vestígios,

outros estão empregados nas empresas

que dependem do Governo.

Manuel Alegre resiste, mas já não conta.

Medeiros Ferreira ensina e escreve.

Jaime Gama preside sem poderes.

João Cravinho emigrou.

Jorge Coelho está a milhas de distância

e vai dizendo, sem convicção,

que o socialismo ainda existe.

António Vitorino, eterno desejado,

exerce a sua profissão.

Almeida Santos justifica tudo.

Freitas do Amaral,

"ofereceu-se, vendeu-se" e reformou-se !

Alberto Martins apagou-se.

Mário Soares ocupa-se da globalização.

Carlos César

limitou-se definitivamente aos Açores.

João Soares espera.

Helena Roseta foi à sua vida independente.

Os grandes autarcas do partido

estão reduzidos à insignificância.

O Grupo Parlamentar

parece um jardim-escola sedado.

Os sindicalistas quase não existem.

O actual pensamento dos socialistas

resume-se a uma lengalenga pragmática,

justificativa e repetitiva

sobre a inevitabilidade do governo

e da lutacontra o défice.

O ideário contemporâneo

dos socialistas portugueses

é mais silencioso do que a meditação budista.

Ainda por cima,

Sócrates percebeu depressa

que nunca o sentimento público esteve,

como hoje, tão adverso

e tão farto da política e dos políticos.

Sem

hesitar,

apanhou a onda.

Desengane-se quem pensa

que as gafes dos ministros incomodam Sócrates.

Não mais do que picadas de mosquito.

As gafes entretêm a opinião,

mobilizam

a imprensa,

distraem a oposição e ocupam o Parlamento.

Mas nada de essencial está em causa.

Os disparates de Manuel Pinho

fazem rir toda a gente.

As tontarias e a prestidigitação estatística

de Mário Lino são pura diversão.

Não se pense que a irrelevância

da maior parte dos ministros, que nada têm a

dizer para além dos seus assuntos técnicos,

perturba o primeiro-ministro.

É assim que ele os quer,

como se fossem directores-gerais.

Só o problema da Universidade Independente

e dos seus diplomas o incomodou

realmente.

Mas tratava-se, politicamente,

de uma questão menor.

Percebeu que as suas fragilidades

podiam ser expostas

e que nem tudo estava

sob controlo.

Mas nada de semelhante se repetirá.

O estilo de Sócrates consolida-se.

Autoritário, Crispado, Despótico,

Irritado, Enervado,

Detestando ser contrariado.

Não admite perguntas

que não estavam previstas ou antes combinadas.

Pretende saber, sobre as pessoas,

o que há para saber.

Tem os seus sermões preparados

todos os dias.

Só ele faz política,

ajudado por uma máquina poderosa

de recolha de informações,

de manipulação da imprensa,

de propaganda e de encenação.

O verdadeiro Sócrates

está presente nos novos bilhetes de identidade,

nas tentativas de Augusto Santos Silva

de tutelar a imprensa livre,

na teimosia

descabelada

de Mário Lino,

na concentração  das polícias sob seu mando

e no

processo

que o Ministério da Educação abriu

contra um funcionário

que se

exprimiu em privado.

O estilo de Sócrates está vivo,

por inteiro,

no ambiente que se vive,

feito

já de medo e apreensão.

A austeridade administrativa e orçamental

ameaça a tranquilidade de cidadãos

que sentem que a sua liberdade de expressão

pode ser onerosa.

A imprensa sabe o que tem de pagar

para aceder à informação.

As empresas conhecem as iras do Governo

e fazem as contas ao que têm de fazer

para ter acesso aos fundos e às autorizações.

Sem partido que o incomode,

sem ministros politicamente competentes

e sem

oposição à altura,

Sócrates trata de si.

Rodeado de adjuntos dispostos a tudo

e com a benevolência de alguns

interesses económicos,

Sócrates governa.

Com uma maioria dócil,

uma oposição desorientada

e um rol de secretários de Estado zelosos,

ocupa eficientemente,

como nunca nas últimas décadas,

a

Administração Pública

e os cargos dirigentes do Estado.

Nomeia e saneia a bel-prazer.

*Há quem diga que o vamos ter durante mais uns anos.

É possível.

Mas não é boa notícia.

É sinal da impotência da oposição.

De incompetência

da sociedade.

De fraqueza das organizações.

E da falta de carinho dos

portugueses pela liberdade.*

25 septembre 2009

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18 septembre 2009

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15 septembre 2009

Inauguração da "Casa-Poema" -

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A 16 de Setembro, a Casa Fernando Pessoa transforma-se num poema,

por dentro e por fora.

Fachada exterior e paredes albergarão inúmeras versões

de uma só ode de Ricardo Reis (Fernando Pessoa).


A inauguração da Casa-Poema será acompanhada,

durante o dia, de animação de rua.

Às 19h30, actores da Tenda – Palhaços do Mundo dirão poemas de Pessoa,

das janelas da Casa Fernando Pessoa para a rua em frente.

Pelas 21h30, na mesma rua, terá lugar o espectáculo musical «Flak + Amigos»,

e às 22h30 a peça de teatro

«Todos os Casados do Mundo são Mal Casados»,

dramaturgia de Inês Pedrosa

a partir de textos de Ovídio e Fernando Pessoa,

encenada e interpretada por Diogo Dória

14 septembre 2009

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7 septembre 2009


Visit Lisboa Marcha... pela Paz e pela Não-Violência